ABOUT

Com 20 anos de carreira, o DJ Renato Ratier é um dos fortes pilares da música eletrônica brasileira. Nos anos 2000, quando a cena underground ainda tomava forma no Brasil, abriu o D-EDGE, conceituado clube que se tornou referência ao redor do globo. Como produtor da disco music ao techno, lançou diversos EPs e participou de coletâneas em selos renomados como Get Physical, Kompakt, Light My Fire e No.19 Music, entre outros. Em 2013, seu primeiro álbum, “Black Belt”, foi lançado pela gravadora D-Edge Records e distribuído pela Kompakt, alcançando sucesso instantâneo entre crítica e público.

Atualmente, Renato Ratier colhe os frutos de duas décadas de um trabalho autoral e artístico cheio de paixão. Além de ser um dos DJs brasileiros mais requisitados no mercado internacional (e figura presente em line-ups dos principais festivais do mundo), é sócio-proprietário e DJ residente do premiado beach club Warung, em Santa Catarina, e do Holzmarkt, um espaço cultural inovador localizado na efervescente Berlim. Comanda desde 2015 a grife Ratier e o restaurante-estúdio Bossa em São Paulo e, em 2016, prepara-se para abrir uma filial do D-Edge na cidade do Rio de Janeiro e lançar seu segundo álbum, “Youniverse”.

Em entrevista exclusiva para a Kode, falamos sobre seus recentes projetos, sobre o seu lado empreendedor, do momento atual da cena no país e sobre o futuro do techno. Confira a seguir o resultado desse bate-papo.

 

Entrevista

Como fundador do clube D-EDGE e sócio proprietário do Warung Beach Club, você tem promovido e dado uma indiscutível contribuição para a cena underground no Brasil. Qual a sua principal motivação?

Minha motivação é ver a cena crescer e, obviamente, proporcionar música boa e alegria às pessoas, cuidando da qualidade das minhas festas e espalhando conhecimento de música às pessoas.

Você está prestes a lançar mais um álbum, o “Youniverse”. Qual o conceito por trás desse projeto e o que podemos esperar dele?

Eu gostaria de fazer algo como o universo mesmo, que fosse ao mesmo tempo vazio e cheio. O resultado é uma busca por um som que fosse vazio e, ao mesmo tempo, cheio. Esse é o conceito. Trata-se de um disco mais experimental. Espero que as pessoas a crítica especializada gostem do meu novo trabalho.

Em breve também será inaugurada a filial do D-EDGE no Rio, que promete favorecer a (carente) cena underground carioca. O que podemos esperar de tal acontecimento e quais os principais desafios enfrentados até aqui?

Eu já faço eventos no Rio há muitos anos, praticamente desde que abri o D-Edge em São Paulo. Claro que cada cidade tem suas peculiaridades, mas acho que o Rio de Janeiro está mais do que pronto parta receber eventos e há uma expectativa grande do público –e minha também. Festas como o Raww x Room e outros eventos com a marca D-EDGE colaboram para a solidificação da música eletrônica de qualidade e isso só ajuda o D-Edge, principalmente quando a casa estiver aberta na cidade.

No dia 30 de Julho, a Raww x Room vai desembarcar em Rio Janeiro. Como nasceu o projeto e qual e a inspiração por trás dele? Qual são as expectativas?

Ter feito o Raww x Room traz a possibilidade de os festivais terem uma outra proposta de palco. Uma ideia mais intimista, num local em que as pessoas possam dançar com o DJ na mesma altura da pista. Existe o conceito de “garbage design” e de materiais reciclados na decoração também. A festa sempre inclui os artistas da agência D.Agency, além de dar oportunidade a novos nomes também. O nome vem da brincadeira com meu próprio nome e com a minha logomarca, já que algumas pessoas me chamam de “Raww”. É uma proposta inédita no Brasil, não havia ainda nenhuma festa com esse formato.

Quais são os diferenciais e similaridades entre esse projeto e o D-Edge?

A atmosfera do Raww x Room é bem diferente da do D-Edge. Na verdade, elas são opostas. O D-Edge evoca a alta tecnologia e tem apelo visual maior, já o Raww x Room é mais despojado e orgânico, um projeto feito para lugares abertos. A similaridade dos projetos é a preocupação com a curadoria artística, com a qualidade de som e com o serviço. Ou seja, a excelência em todos esses aspectos.

Desde 2011, através da D/AGENCY, você tem promovido nomes do mercado nacional que vão desde MURPHY, uma unanimidade quando o assunto é Techno, até Nepal, conhecido por sua qualidade eclética. Qual o diferencial necessário para que um artista faça parte desse time?

O artista deve estar fazendo um trabalho verdadeiro e ter um comprometimento com a boa música. Olhamos muito para a qualidade artística –não é somente a quantidade de shows que o DJ vende, por exemplo. Somos uma das únicas agências no Brasil que, de fato, tem um critério bastante único de seleção de artistas. São poucas as agências que pegam artistas para trabalhar em cima de um conceito forte aqui no Brasil, isso é mais comum fora do país. Por aqui é bastante usual misturar nomes comerciais e conceituais, coisa que nós não fazemos. Somos um time muito unido.

Com mais de 20 anos dedicados à música, você é conhecido por um tipo de pesquisa que não se prende a um gênero. Como seu gosto tem se desenvolvido com o tempo e que espaço o Techno tem na sua trajetória?

Boa parte da minha pesquisa musical da minha vida sempre foi pautada no techno e no house e, claro, nos seus subgêneros. Sempre alternei entre esses esses dois estilos, em fases que eu estava mais inclinado a tocar mais um ou outro. House e techno sempre estiveram no meu case, sempre fizeram parte da minha bagagem e também fazem parte do que eu toco desde 20 anos atrás até hoje.

Esse ano dois dos maiores festivais de Techno do mundo aconteceram na América do Sul: Awakenings, no Chile e Time Warp, em sua terceira edição na Argentina. Isso demostra claramente que o Techno tem sido incorporado por aqui. Ao seu ver, o que mudou?

Na Argentina, eu diria que o techno está mais forte do que no passado, porque os argentinos sempre foram ligados mais a um som mais progressivo e, de um tempo para cá, o techno ganhou bastante espaço. O Chile já tem uma relação mais sólida com o techno, pois muitos artistas de techno chilenos despontaram, como o Ricardo Villalobos. Na verdade, essa questão de estilos é cíclica mesmo. Há momentos em que um estilo está mais forte que outros, é normal e não é de agora que isso ocorre. O house e o techno são os dois pilares da música eletrônica e sempre vão estar presentes.

Muitos festivais, clubes e diversos artistas são conhecidos pela forma em que usam a tecnologia como ferramenta para construir novas experiências no momento de subir ao palco. Como você aplica essa visão no seu trabalho?

Há artistas que usam muitas tecnologias, como há também DJs que não usam muitos aparatos e nem por isso não são bons. O Dixon, por exemplo, toca com pendrive e já foi eleito o melhor DJ do mundo duas vezes pelo site Resident Advisor. O que vale mais é a pesquisa musical e o feeling de pista. Os recursos, claro, são válidos. mas vai de cada artistas usar o que prefere: se gosta de tocar com vinil, computador, efeitos, pedal, Trakor, Serato etc.

Se você pudesse fazer um back-to-back com alguma lenda do Techno, quem seria?

Já fiz b2b com muitos DJs importantes, como Loco Dice, Ritchie Rawtin, Luciano, Maceo Plex, Magda, Michael Mayer, DJ Hell, Miss Kittin… Marco Carolla. Um DJ, no entanto, com quem eu gostaria de tocar mas nunca rolou é o Carl Cox. Seria uma grande experiência e um prazer.

Detroit ou Berlin? Por quê?

Não curto fazer esse tipo de escolha, gosto de ter opções. Detroit e Berlim são cidades igualmente importantes para a música eletrônica e uma influencia a outra. Se é possível escolher, gosto de pensar que podemos escolher mais de uma coisa!

O movimento Techno nasceu como uma afirmação futurista. Ao seu ver, qual o futuro do Techno?

Olha, o futuro a Deus pertence (risos). Eu não sei ao certo como vai ser, não ouso nem opinar (risos).

Renato Ratier

SAIBA MAIS

  • Nome RealRenato Martins Ratier
  • PaísBrasil
  • CidadeSão Paulo - SP
  • Início da carreira1996